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1º MotoRally - Esposende
Org. Moto CLube do Porto
Texto por Ernesto Brochado
Grande desbunda, eficaz organização e
enorme aula sobre o concelho da Foz do Cávado marcaram o 13º Moto-rali Turístico
MC Porto - Altis "Na Paisagem Protegida do Litoral de Esposende", no ensolarado
e último fim de semana invernal.
Esta primeira jornada do 8º Troféu Turístico da FNM recebeu (com elementos da
organização) 168 pessoas, 111 motos e 18 motoclubes do Algarve a Trás-os-Montes,
emprestando gigantesco colorido à pequenina cidade minhota, que abriga - da
Apúlia à Foz do Neiva - uma das áreas de paisagem protegida nacionais.
Começando o intenso périplo por visita ao Museu Municipal, os participantes
saltaram finalmente para as suas motos, no largo Fonseca Lima junto à Câmara,
visitando o concelho por ordem cronológica.
O road-book mandou subir pelos moinhos da Abelheira e entrar nos pinhais de Vila
Chã. O Dr. Neiva esperava os alegres mototuristas no dólmen do Rapído, sepultura
com 6.000 anos e apenas uma das 18 existentes na freguesia (!!). Dr. Neiva que
acumula o cargo de presidente do Moto Clube Os Castrejos - Esposende com o facto
de ser historiador apaixonado por este concelho. Já editou mais de 30 obras e
até foi responsável pelo Pelouro da Cultura municipal. Alegre e espectacular
anfitreão, semi-organizou o moto-rali, explicando no terreno, as características
de muitos dos monumentos.
Elucidados, os motociclistas rumaram ao Castro de S. Lourenço, por percurso que
contornou S. Paio de Antas e Forjães, sempre nos caminhecos mais rurais. Pelo
meio, a Clarinda, vestida à lavradeira, ia controlando secretamente e de grelos
na mão os atónitos concorrentes. Ao Domingos Cruz até custava assentar as
penalizações de tanto rir...
O Castro de S. Lourenço situa-se no cimo da Arriba Fóssil de Esposende, com
largas vistas sobre a costa e estuário do Cávado. Em parte restaurado,
auxilia-nos a melhor compreensão dos modos de vida há milhares de anos. O
comunicativo arqueólogo Jorge Guedes ainda mais facilitou essa visão.
Na descida, a passagem em Góios pelo atelier-museu do pintor Henrique Medina,
infelizmente apenas por fora devido a obras que impediram o melhor conhecimento
da obra do retratista que pintou Mussolini e Einstein, entre outros.
As obras rodoviárias de Góios apresentaram uma surpresa: a estrada cortada com
máquinas e buracos. O desorganizador-mor Ernesto pediu uma pá aos
trabalhadores, deslocou um monte de areia e as motos conseguiram passar por uma
nesga.
Paraísos e trambolhões
A Barca do Lago ofereceu vinte minutos de pausa merecida. Passagem idílica do
Cávado, as suas margens atraíram os construtores de solares brasonados e bonitas
moradias. A paz de espírito consegue-se aqui. Foi local de passagem antes da
construção, há 100 anos, da ponte Luís Filipe, em Fão. A barca atravessava os
peregrinos de Santiago de graça, tendo-lhe sido dado o nome de "Barca Por Deus".
Pouco católico foi o percalço do Machado, presidente dos Conquistadores de
Guimarães. Uma distração e a Paneuropean estava espetada num automóvel. Ainda
pior ficou o pulso esquerdo. Mas a fractura não retirou boa disposição ao
dirigente vimaranense que, após a ida obrigatória ao hospital, se juntou de novo
ao grupo, gozando e curtindo o resto do fim de semana. O enorme grupo de
elementos dos Conquistadores (13 equipas) acabaram por se atrasar com tudo isto,
tendo a maior parte deles nunca mais recuperado as horas perdidas. A Pan conti nuou
caminho na carrinha do anjo da guarda AS Motorrad.
E chegava a hora do almoço, fabuloso, na Estalagem Parque do Rio, dissimulada no
pinhal do Ofir, com vistas sobre o estuário. No 4º andar do romântico edifício,
esperava um bacalhau com natas servido em buffet, excelente opção para despachar
a caravana, com descontração e convívio. O sol, as vistas e o calor completariam
o momento, rodeado de esquilos e vegetação. E nada como começar a tarde com uma
passeata pedestre, para moer a refeição. Mais de 350 passos para cada lado
levariam os mototuristas pelo passadiço da restinga do Ofir (nome dado à língua
de areia que separa o mar do rio) até um miradouro onde se podem observar os
corvos-marinhos, entre muitas outras aves que se abrigam por aqui. Os "secretos"
Domingos e a Clarinda esperavam de novo a malta, desta feita para os questionar
sobre aves. O interesse que as pessoas não tem sobre este nosso tesouro
faunístico começou aqui a mandar muitos para o fim da tabela classificativa.
Estavamos em plena Paisagem Protegida, abrigo de mais de 130 espécies de aves e
de vários mamíferos, anfíbios e répteis. O tema iria continuar.
Mas voltamos à História com a Necrópole Medieval de Fão, escondida entre
moradias e desconhecida até de habitantes locais. Jorge Guedes aguardava de novo
os motociclistas e narrava a razão de ser deste antigo cem itério,
que se encontra - em parte - sob uma estrada e outra casa.
Mais uns km para desenjoar levou a comitiva a embrulhar-se nos caminhecos de
Fonte Boa e margens do Cávado, a sul da Barca do Lago. Nova pergunta surpresa
sobre o Peto-verde (pica-pau bastante colorido) efectuada pelo Manel Pereira e
confusão completa lançada por um sentido proibido colocado de véspera. Juramos
que não fomos nós! Como o local era ermo, muitos respeitaram o road-book, com
atitude inversa ao sinal de trânsito.
Apúlia: poças e sargaço
Para se chegar às masseiras da Apúlia, atravessou-se a sua agra. Os estradões,
arenosos, estavam uma lástima devido às chuvadas de véspera. Muitas poças
castanhas atormentaram os mais inexperienetes. Mas todos passaram, com mais ou
menos calafrio e motos castanhas de lama.
A paragem, breve, efectuar-se-ia na masseira mais perfeita. Campo escavado até
ao lençol freático e com as toneladas de terra depositadas em muros laterais,
constitui uma pequena estufa, fértil e viçosa. Para adubar: o sargaço. Então
toca de o ir apanhar! Mais adiante, na praia da Apúlia, esperavam três jovens
sargaçeiros com as respectivas ferramentas. Estas mudaram de mãos, e os nossos
"concorrentes" saltaram em cuecas para as ondas, à cata de uma qualquer
alguinha. Fotos singulares conseguiram-se neste momento único!
Já motorizados, conheceram o Facho da Bonança, ancestral farol que avisava os
marinheiros dos perigos dos Cavalos de Fão, rochedos que naufragaram muitas
embarcações. A capelinha lateral ao facho contém as marcas dos marinheiros que
lá se encomendavam antes de partir.
O 3º sector do dia desenrolar-se-ia dentro do terreno particular do
desorganizador-mor. Mais fauna, flora e cuid ados
ambientais constituíram um pequeno percurso pedestre de 6 postos, entremeados de
várias perguntas que arrasaram os que queriam subir nas classificações. Entre
várias tarefas, abateram a machado uma acácia infestante, colheram tradescância
(outra praga) e podaram sobreiros. também aprenderam sobre os residentes
esquilos, pica-paus-malhados e azevinhos.
A noite chegava e o regresso ao Ofir encaminhava o grupo para os quartos do
Hotel de 4 estrelas e jantarada animada pela entrega de lembranças aos 18
motoclubes presentes e Manuel e Ianara Rés, vencedores da 1ª etapa. O ritmado
Fernando Born To Be Pimba conseguiu continuar o bailarico até às duas da
matina...
Domingo nada domingueiro
Os domingueiros saem de casa após o almoço e para os sítios mais previsíveis.
Num moto-rali é completamente ao contrário. Este até começou a etapa bastante
cedo, pelas 9h, e com as equipas juntas de 30 em 30 segundos, para não penalizar
quem iria ter pela frente 600 km para chegar a casa.
O sol mantinha a alegria e o programa também. Depois de visita ao Forte de S.
João Baptista, o Tí Abílio, presidente da Junta de S. Bartolomeu do Mar
baptizou, um a um, os resignados "pilotos". Bem engalanado com coçada veste de
sargaçeiro, o Tí Abílio esteve à altura desta boa disposição. O homem fez um
figurão, a chapinhar com um búzio, água do mar na tola de todos! Mais
estradinhas, descobertas através de mapas militares, continuaram a caravana
pelas hortaliças e casas rurais até ao alto da Sra da Guia, miradouro que
contempla a parte norte do concel ho,
da foz do Neiva até para lá de Viana. E foi precisamente o bucólico estuário do
pequeno mas rico Neiva que ofereceu novo descanso. Depois, o itinerário mandava
subir a sua margem esquerda, intercalando zonas de moradias com campos e bouças.
Era para a azenha do Minante que nos dirigíamos. Complexa, dotada de moagens,
serração e até alambique de destilar figos (!) foi-nos mostrada pela moleira
Lucília Neiva e também explicada pelo presidente da associação de proteção do
rio, António Azevedo. Este senhor ofereceu literatura sobre a lontra, azevinho e
ainda brindou a caravana com 100 destas plantas protegidas, envazadas e que
daqui partiram para todo o Portugal continental. Excelente!
Novos troços pitorescos continuaram o percurso até à oficina de Mena do Rio,
divertida artesã que mantém a tradição do fabrico de cestas com junco colhido
nas margens do Lima.
Adivinharam: foram estas as lembranças escolhidas para os vencedores finais.
Belezas finais
Mais (sempre mais) estradecas recônditas fizeram deslizar os participantes por
Forjães, Curvos e Palmeira de Faro com breve pausa na casa do escritor Manuel de
Boaventura, autor dos "Contos do Minho". Novos quilómetros e chegava-se ao lugar
de Marachão, na margem sul do Cávado. O lugar, fabuloso, deve-se ao enorme muro
de 200 anos (o marachão) construído por Custódio Villa-Boas, engenheiro que
idealizou o encanamento do Cávado até Barcelos. Dessa forma, o rio ganharia
velocidade, não assoreava e tornava-se navegável. Mas as invasões napoleónicas
de 1809 desfizeram o sonho.
A etapa estava terminada e os alegres mototuristas tomavam café e provavam uma
clarinha na quinta vizinha. A foto gigante tirou-se e a caravana - finalmente
junta - rumou ao Ofir para grande almoçarada final (mais de 180 pessoas à mesa)
e entrega de lembranças.
Aqui, a grande homenagem foi para o grandioso Dr. Neiva, autor de 6 folhetos
para os participantes e, como já referimos, co-organizador de todo o programa.
Voltando aos "concorrentes", para que todos assimilem ao máximo a enorme
quantidade de informação injectada ao longo do périplo, há as tais
classificações finais. Os vizinhos "galos" entraram melhor, muito apertados
pelos estreantes mirandelenses. Já os "campeões" de 2003 denotaram um baixo de
forma deixando o caminho livre para os prémios, sempre em artesanato local.
Comprovou-se desta forma agradável revolução, já que a entrada de muitos
motociclistas de grande sensibilidade turística veio dinamizar ainda mais este
troféu que respira saúde
Vespista que é Vespista, tem um Vespa Sux.
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