GRALHEIRA 2004
As vespas, foram uma vez mais à
Aldeia da Gralheira, bem depois de Entre os Rios, bem depois de Cinfães do
Douro, entrando pelos caminhos tortuosos e frios da serra.
O
início desta história, passa-se ainda em território Maiato, onde destemidos
condutores de tal nobres viaturas, se encontraram na taberna habitual - Café
Central. Por volta das 9 horas do raiar do dia, chuva forte e implacável caía
sobre os cavaleiros e suas montadas, quando se fizeram ao caminho, desaparecendo
como El Rei D. Sebastião no novoeiro que ia caindo...
Tal tormenta acompanharia os
nossos valentes durante os mais de 100kms, quando estes já se aproximavam do
lugar do repasto, altura em que a chuva fria deu lugar apenas ao frio gélido
típico de uma aldeia perdida no meio da serra.. O sino da igreja, ecoava pela
Serra, marcando as 12 badaladas. O almoço retemperador, esperava quente,
contrastando com os cavaleiros que mostrando a sua bravura, tiravam as suas
armaduras que os protegiam da chuva impi
edosa
que os acompanhara até então...
Que melhor prato que um cozido
à portuguesa poderia ser servido em tal região? O tempo não era mais de batalha
contra a natureza, mas sim de aceitar a oferta que lhes era colocada em
travessas mesmo à frente dos olhos sequiosos de tal alimento. Um bom trago de
vinho fez questão de acompanhar a refeição, ao qual, a especiaria escolhida para
finalizar o repasto foi o café... Um manjar dos Deuses, terão alguns pensado,
enquanto lá fora, o sol ia raiando como podia, afuguentado a chuva de vez...
Novamente em cima das suas
montadas, os nossos heroís desta nobre história fizeram-se ao caminho, desta vez
com destino a Entre-os-Rios, que alcançariam já a meio da tarde, onde mais uma
vez foram desviados para os prazeres da carne. Mas não da forma que pensam. A
carne aqui, fazia parte dos rissóis com que foram brindados por lanche...
O regresso a casa dos nossos
heróis não tinha praças cheias de gente a acenar, não tinha sinos a tocar a
rebate, nem sequer o presidente da Camera a entregar a chave da cidade. Apenas
tinha a mesma taberna onde tudo começara.. Fizeram as despedidas e desapareceram
pela noite dentro, cada qual com o seu caminho em mente e com um sorriso de
orelha a orelha, pensando no que perderam os que ficaram em casa...
"O que vale, o que conta é a
história simples, verdadeira, viva e sentida da Gralheira de Montemuro: a aldeia
e a serra, a vida e as gentes, a vida das gentes. Tudo aqui fica na sua verdade
nua e crua, na sua rude rusticidade. O que vai aqui encontrar é história e
história viva. A história da Gralheira, nos seus usos e costumes, repete-se, é
circular. Se já não se vive como há cem ou duzentos anos, se a luz da candeia
deu lugar á lâmpada eléctrica e a mula do almocreve foi vencida pela camioneta,
o povo continua a ser o mesmo: simples, hospitaleiro, pacato e sacrificado. A
serra continua a cobrir-se das mesmas flores, os campos produzem o mesmo pão, a
mesma água canta nos corgos e ribeiros, os pássaros fazem e refazem os seus
ninhos. E há neve, há coelhos, há Inverno. O pão é comido com o suor do rosto,
os homens acreditam na graça e benção de Deus. Na Gralheira, na serra do
Montemuro, há poesia, a mesma poesia dos nossos avós.: "É um regalo subir ao
alto da serra( ... ) ficar extasiado a contemplar aquela policromia maravilhosa"
! "Que magia tem aquela terra para nos prender ali." - In página web aldeia da
gralheira
Vespista que é Vespista, tem um Vespa Sux.
WebDesign por
Jorge Barbosa© - Todos os direitos reservados