
5º Portugal de Lés a Lés - 2003
20, 21 de
Junho de 2003 (Chaves ; Covilhã; Albufeira)
20 de
Junho de 2003 (Chaves ; Covilhã)
Os Vespistas do
Norte fizeram-se à estrada de Vespa, ainda na quinta de manhã, indo com rumo a
Chaves.. Pelo caminho, tempo para paragem para café da manhã e pouco depois de
passarmos em Vila Real, resolvemos parar para almoçar. Chamou a nossa atenção
uma Vespa toda cortada (tipo as nossas de TT), mas com pneus slicks que estava
em cima de um Jipe. Quando olhamos melhor, estava uma camioneta cheia de Vespas
ao lado, todas bem embrulhadas. Era o Pessoal de Lisboa que também a caminho de
Chaves, tinham escolhido o mesmo restaurante que nós (ou nós o mesmo que
eles!!!) e que para não se cansarem muito, tinham resolvido vir de carro e
trazer as Vespas desta forma.. Tempo para nós olharmos para as vespas deles e
eles para as nossas Almoço e depois deste, arranque e chegada a Chaves. Tempo
para cumprimentar a organização que já nos conhece mais do que bem, e fazer as
Verificações técnicas. Este ano, devido a alguns membros dos Vespistas do Norte
terem ido a rolar para o Eurovespa (calhou no mesmo Fim de Semana), apenas
levamos 2 equipas (com um total de 5 vespas). A organização era a seguinte: Joca,
Carla e Francisco seriam a equipa da frente. Para além da chegada ao Algarve, a
meta era também cumprir os horários e realmente chegar lá abaixo totalizando as
24 horas ou menos. A outra equipa, composta pelo Ivo e pelo Múrias, ia numa de
"descontracção" e passeio. a meta era chegar ao Algarve, fosse a que hora fosse!
Ambas as metas foram amplamente cumpridas!
A título de
Curiosidade, quem fundou a cidade de Chaves foi Flávio Vespasiano que fundou
assim Aquae Flaviae em 78 d.c.
Jantar de
apresentação e foi tempo de encontrar amigos dos outros anos, que já vão sendo
alguns (4 anos) e por a "escrita" em dia. Ainda tempo para irmos para as
esplanadas de Chaves beber um copo e descontrair até às 3 da matina. As 400
motas que compunham a caravana do Lés a Lés, invadiam Chaves por todo o lado!!
Dia seguinte, alvorada bem cedo e chegada ao recinto já com depósitos atestados
às 7:45.
Tempo ainda para
a Carla e eu darmos entrevistas para a Rádio Local, com perguntas sobre o Lés a
Lés deste ano e dos anos passados. As perguntas da Carla incidiram mais no facto
de ela ser mulher a fazer o Lés a Lés de mota.. entretanto, temos mesmo de
cortar a entrevista, porque daí a 30 segundos, somos nós a partir!!!!
Início das partidas
(que já tinham começado), com a primeira equipa a ser composta por uma mobilete (com pedais) e uma Honda MiniMonkey (este condutor, já fez o Lés a Lés,
tantas vezes como nós, mas de Pan European, e este ano resolveu ver como é de
roda mais pequena!).
Partida e lá
vamos nós!!! a um bom ritmo, saímos de Chaves e seguimos em direcção a Boticas,
à qual não chegaríamos, desviando antes. Neste bocadinho, passamos as 5 equipas
que largaram primeiro do que nós e atingimos o primeiro posto de controle (são
secretos, nunca se sabendo onde vai haver um!). Chegam
os cedo demais.. 10
minutos à espera para nos picarem a tarjeta (prova de passagem nos postos de
controle). Enquanto se espera, bebe-se uma água e come-se um queque. Entretanto
chega o pessoal todo das Vespas do VC Lisboa, e conversa-se 1 minuto. Já são horas e
picamos a tarjeta e arrancamos.. Só veríamos o resto do pessoal das Vespas à
noite, no final do dia, já depois de jantar. Tiveram uns azares com um cilindro
e perderam muito tempo. Como levavam 2 carros de apoio, tinham um motor suplente
e safaram-se! Ainda bem!!!
Siga direcção de
Mi
randela e passagem pelo primeiro estradão de terra.
D E M O L I D O R é a palavra corre
cta!!
No meio de um buraco, cai a roda a frente, depois a de trás e ainda esta não
está no chão, já a da frente está a levar outra vez pancada.. voa a vespa, voo
eu e voa o suporte da frente que leva a mochila
com tudo!!!. Páro sem cair e apanho a mochila e suporte (ainda agarrados),
prendo tudo com esticadores ao banco (agora vai aqui!!!). Siga.. passagem por um
caminho asfaltado, em que já faltava mais de 80% do asfalto. Só buracos,
gravilha e muita areia e terra.. Muito pó para quem vem atrás!!!
Passagem por
Mirandela onde tivemos o privilégio de passar na Ponte Pedonal, normalmente
fechada ao transito. Já à 3 anos atrás, tivemos igual privilégio ao passarmos em
ponte de Lima também pela ponte na mesma situação!
Chegada ao Posto
de controle seguinte. 40 minutos adiantados, e tivemos que os fazer por ali na
conversa!! Finalmente lá seguimos e a estrada até S. João da Pesqueira nada mais
teve de especial, a não ser as paisagens fabulosos do Rio Douro (passa no Porto,
Carago), e as estradas aos ssssss que faziam a vespa roçar dos dois lados (quem
me dera um travão de disco!!!). Descida pa
ra
a Barragem da Valeira, com uma temperatura que não se aguenta. É agora 1
da tarde e está um calor insuportável. Não há pinga de vento ou de humidade no
ar.. Tudo seco e o sol a dar-nos bem em cheio.. Chegada lá abaixo e mais uma vez
adiantados (esta acabou por ser a nossa sina este Lés a Lés)... Subida para S.
João da Pesqueira para o almoço, servido no meio de uma praça, à sombra de uns
guarda sóis montados junto às mesas!! Muito bem!! Estamos a acabar o almoço
chega o Ivo e o Múrias!! Completamente pretos de pó, mas com sorriso de orelha a
orelha! Estão a adorar..
Novo arranque e
próximo destino, Sernancelhe, onde apanharíamos a equipa 0 (equipa da
organização, que sai 30 minutos antes de toda a caravana, para verificação de
todos os postos).
Próximo destino,
passagem pelo rio Dão, onde nos esperava uma pequena passagem a vau do Rio.. Sem
problemas para as Vespas. A partir daqui e os próximos 5 kms foram
terríveis.. Pelo meio de montes e vales, por estradas pelo meio dos montes e
valas
, onde a areia e a terra solta eram a norma. A roda da frente enterrava
nas subidas e a vespa lá fazia um esforço para continuar a subir sempre a fazer
um pouco de slide.. Muita dificuldade devem ter tido os tipos que vão nas RR's
(super desportivas!!!) Seguimos caminho e passagem por Penalva do Castelo, para
de seguida irmos ao Lanche em Mangualde (água e sumo com fartura. Chegamos a
apanhar temperaturas de mais de 40 graus, e sempre de casaco vestido (perigo de
escaldão, pois sempre são 12 horas seguidas a apanhar sol, e também por
protecção, pois ninguém está livre de uma queda!).
Começo da subida
para a Serra da Estrela pelo Curral do Negro, entrando em terra e pedra.. muita
pedra nua!!! A vespa, tem roda pequena, bate aqui, bate ali, e admito que também
não abrandamos o ritmo. Passa por esta berma, ou por aquela, sempre a dar-lhe.
pedra.. paus, areia, terra. .de tudo um pouco.. de repente, uma pancada e um
barulho enorme sai de baixo da minha Vespa.. Soltou-se o escape.. Toca a arranjar
duas pedras e dar-lhe pancada!! Ficou a funcionar, no sítio e siga que ainda
falta muita estrada de monte. Mais à frente, um posto de controle, onde o
controlador que tinha ido de Varadero, furou o cartér e não reparou. Só parou
quando a mota o fez parar, pois agarrou!!! O caminho era mesmo MUITO mau, nas
não inultrapassável. Se as pessoas fossem com calma, passavam todas sem
problemas de maior. Além do mais, o Lés a Lés, não tem a filosofia dos bons
caminhos! Mais tarde, viria a saber que também uma Pan European furou o cárter,
mas parou logo e não houve mais estragos. Essa mesma mota teria o cárter soldado
pelo assistência da prova, pelo que pode seguir viagem! EXCELENTE organização e
EXCELENTES mecânicos da MotoAmaro, que são sempre a assistência oficial!.
Saída do
estradão, passagem a 7 km da Torre (já bem altos) e descida para o Covilhã, onde
terminaria este primeiro dia da "prova". pouco mais de 1 hora e meia depois,
chegaria o Ivo e o Múrias que continuavam a adorar tudo!!! Jantar e conversa
daqui e dali, e chegada do pessoal de Lisboa. Uns azares, mas tudo em ordem e
amanhã é outro dia..É assim mesmo o espírito do Lés a Lés.
21
de Junho de 2003 (Covilhã ; Albufeira)
Alvorada bem
cedo, prender outra vez tudo na Vespa e preparação para a largada. 3 2
1 - aqui vamos nós!!!
Calor.. muito
calor foi outra vez a norma do dia, e cedo, chegarmos cedo aos postos de
controle foi outra vez a nota dominante deste 2º dia do L-a-L.
A viagem até
Estremoz foi um pouco desesperante, pois o Alentejo por mais que se queira tem
muitas rectas e não há grandes hipótese de fugir delas..
Continuação por Redondo,
onde andamos perdidos durante algum tempo, pois não encontrávamos uma nota. As
Vespas de Lis
boa acompanharam-nos um pouco nesta fase perdida, mas acabaram por
parar junto a uma bomba de gasolina, e nós, seguimos a nossa viagem!!! Castelo
de Valongo e Portel, até à chegada à Vidigueira,
onde seria o almoço, com um Frango Assado fantástico!!! À saída do almoço
encontro o pessoal de Lisboa, assim como o seu Presidente,
o nosso amigo Luís
Lopes e o Tiago, que tinham vindo dar uma força
ao pessoal das Vespas. Obrigado malta.. Foi excelente ver-vos lá!!!

Mais
postos de controle, passando por
Monte da Rabadoa, com uns
estradões em terra batida bem largos e lisos, onde a vespa
a 100kmh não se queixava de
nada.. Ui.. parece que estamos no
Paris Dakar!!!
Baleizão, Cabeça Gorda, Corte Pequena, Penilh
os, Alcaria Longa, Martim
Longo, Casa Nova, Ameixial, Vermelhos, Salir e Boliqueime. Pelo meio,
posto de
controle no meio de um ribeiro, onde tivemos de molhar as calças pois o controle
era feito no meio da água!!! Com o tempo
de adianto que levávamos, pudemos conversar com os controladores e alguns
concorrentes que iam chegando. Uma das pessoas que chegou entretanto foi o
Ernesto Brochado, mentor de toda esta
iniciativa e "cabeça" de todos os percursos. Parabéns Ernesto, foi fantástico!
Entrada pelo
Algarve e ainda era tempo para maus caminhos. Por entre vales de estrada
completamente desfeita, com mistura de alcatrão e muitos, muitos buracos!
Chegados a bom caminho, estrada asfaltada, o Francisco que tão bem se tinha
portado toda a prova, resolveu ver como era o asfalto algarvio. Numa curva um
pouco fechada à esquerda, deitou um pouco demais e o asfalto não perdoou.
Resultado: Nenhumas mazelas no físico, nem sequer dores. A vespa, como está?
Simples, carcaça de guiador partida e sem punho de velocidades!!! Muito bem..
Toca a fazer contas.. faltam 15 ou 16 kms para o final..
- Francisco,
engato a mota em 3ª e tu fazes este últimos kms assim.. que dizes???
- SIGA!!!
E assim foi..
Vespa a trabalhar e corrida ao lado da Vespa, para de seguida largar a
embraiagem e com a ajuda de uns kits da mesma, ela lá foi andado.. Ritmo um
pouco mais lento, pois a 3ª não anda assim tanto!!

20.15h
-
Chegada das 3 vespas ao
pódio, completando assim
as 12 + 12 horas deste Lés a Lés com distinção! Mais um diploma e uma tarjeta
COMPLETAMENTE picada, prova da passagem por todos os postos de controle.
Entretanto
foram chegando outras motas e as Vespas do Múrias e do Ivo lá chegaram com quase
2 horas de diferença, já a noite caía.. Chegada de todo o pessoal de Lisboa, que
também fizeram a prova toda..
MUITOS PARABÉNS A TODOS!!! Este Lés a Lés, as Vespas estiveram em GRANDE!!!
Último reparo:
Chegou a carrinha da assistência que iria levar a PX do Francisco para o Porto,
e ficamos na mesma os 5. Fomos conversar, beber e dormir. Levantar no dia
seguinte e eu levei as mochilas dele e a Carla, com a sua Vespa de 1974, trouxe
o Francisco com ela.. Chegamos ao Porto no domingo à noite, já passava da meia
noite (tecnicamente era já 2ª feira). Se não fosse o tombo do Francisco, as
nossas Vespas teriam chegado ao Porto sem nenhum problema. Nem um cabo
partiram!!! Grandes Vespas!!!
Quanto ao factor 12 + 12
horas, ao invés das 24 horas seguidas, acho que se torna mais simples e mais
fácil. A dormida a meio, por mais que se complique o caminho e as estradas, é
sempre óptima para recarregar as baterias. Se por esse lado se perde a
componente de resistência humana e da máquina, perdendo-se assim o puro e duro,
ganha-se pelo convívio e pelo factor humano. Quanto aos andamentos, não há
dúvida que muita coisa mudou desde a nossa primeira participação, já no ano de
2000. Nessa altura, os Vespistas do Norte foram a 1ª equipa a participar com as
chamadas "motas pequenas", e muitos ficaram incrédulos quando chegamos os 5 ao
Algarve... Nesses primeiros anos, o andamento era o mesmo que imprimimos
este ano e não ganhávamos tempo de controle para controle. Como tal, penso que a
média a que o road book foi feito foi substancialmente mais baixa, o que ajuda
todos a passearem mais e desfrutarem do nosso país com mais força!!!
Assim continue, pois para o
ano, e depois de ter feito 4 Lés a Lés, 2 dos quais completei nos tempos
pretendidos, pretendo fazer parte da equipa que só quer chegar ao destino e
andar com calma, muita calma!!!!

Notícia do JN:
"Mil quilómetros em cima das motos
Portugal de Lés-a-Lés
Mil quilómetros em cima de uma "Vespa 150", de 1974. Carla Silva, que tem tantos
anos como a sua vespa cor-de-rosa, foi uma dos 346 condutores que terminaram,
ontem, a aventura Portugal de Lés-a-Lés, entre Chaves e Albufeira.
A segunda parte da aventura, entre o Fundão e Albufeira, correu bem, de acordo
com Paulo Ribeiro, um dos membros da organização. "Algumas quedas sem problemas
e muito calor marcaram o último dia da aventura, que acabou com um mergulho no
mar, para limpar a poeira que todos os participantes traziam".
Portugal de Lés-a-Lés, que era feito em 24 horas, passou a ser dividido em dois
dias, "permitindo, assim, que mais pessoas participassem, uma vez que algumas
não se sentem bem a conduzir de noite. Além disso, em termos turísticos, também
é melhor", acrescentou Paulo Ribeiro.
Os mil quilómetros da aventura foram percorridos sempre em estradas
nacionais, muitas estradas municipais e também estradões de terra, que
dificultaram a prestação dos participantes. "É exigente, física e
psicologicamente. Os condutores não podem distrair-se, são muitas horas a
rodar"."
Revista Topos e
Clássicos nr. 6 - Setembro 2003
Um recorte sobre a
nossa participação, com uma foto das nossas vespas na largada.
Este era o programa cedido
pela organização...
5ª feira, feriado, 19 de
Junho
- Toda a tarde -
Verificações Técnicas diante do Forte de S. Francisco, em Chaves
- 20.00 - Jantar de Boas
Vindas no restaurante O Retornado, em Chaves
6ª feira, 20 de Junho
- 8.00h - Início da
partida das equipas, diante do Forte de S. Francisco, em Chaves
-
Percurso por Vilar de Perdizes, Montalegre, Boticas, Ribeira de Pena, Vila Pouca
de Aguiar, Valpaços, Mirandela, Cachão, Carrazeda de Ansiães e Barragem da
Valeira
- Almoço em São João da
Pesqueira
- Continuação por
Sernancelhe e Aguiar da Beira
- Lanche em Mangualde
- Passagem ainda por
Gouveia, Curral do Negro, Covão da Ponte, Manteigas e Penhas da Saúde
- 20.00h - Início da
chegada das equipas, diante da Câmara Municipal da Covilhã
- Jantar em escola da
Covilhã
Sábado, 21 de Junho
- 8.00h - Início da
partida das equipas, na mesma escola da Covilhã
- Itinerário pelo Fundão,
S. Miguel de Acha, Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Nisa, Crato, Alter do
Chão, Fronteira e Sousel
- Aperitivo em Estremoz
- Continuação por Redondo,
castelo de Valongo e Portel
- Almoço na Vidigueira
- Final por Monte da
Rabadoa, Baleizão, Cabeça Gorda, Corte Pequena, Penilhos, Alcaria Longa, Martim
Longo, Casa Nova, Ameixial, Vermelhos, Salir e Boliqueime
- 20.00h - Início da
chegada das equipas, diante da Câmara Municipal de Albufeira
- Jantar final no mesmo
local com sorteio de equipamento motociclístico e entrega do Prémio de
Regularidade
Vespista que é Vespista, tem um Vespa Sux.
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